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O crescimento expressivo por alimentos que ajudem na imunidade e que proporcionem bem-estar; a rápida e intensa popularização dos meios digitais como espaço para manter os relacionamentos pessoais e profissionais; o aumento da procura pelo e-commerce; e a importância estratégica da inovação em momentos conturbados foram temas de destaque do DR Tá na Mesa – Oportunidades em Meio às Mudanças.


O encontro da indústria de alimentos contou com a presença de especialistas renomados no mercado internacional, que debateram os principais impactos da crise no comportamento de consumidores e como isso se refletiu e na estratégia das empresas. Confira os principais insights do fórum digital.

A pandemia do novo coronavírus moldou a realidade à nossa volta. Com as restrições sociais determinadas para contenção da doença, naturalmente os hábitos de vida mudaram, influenciando diretamente não só a maneira que as pessoas consomem, mas também os produtos consumidos. No dia a dia das empresas não foi diferente, as organizações tiveram que rever modelos de trabalho e estratégias de negócio para se manterem em meio à crise. 

Diante deste cenário, mudanças que já estavam em curso foram aceleradas e novos movimentos começaram a se impor, enquanto a sociedade ainda se adequa à uma situação inédita e incerta em que é preciso alternar fases de isolamento e flexibilização, até o momento da retomada. Por isso, identificar e compreender essas mudanças, sejam elas temporárias ou duradouras, é fundamental para garantir o funcionamento dos negócios durante este período e planejar o futuro das empresas

Foi para debater as estratégias de recuperação e crescimento do setor de alimentos e bebidas em meio à pandemia que a Duas Rodas promoveu o fórum digital DR Tá na Mesa – Oportunidades em meio às Mudanças, entre os dias 13 e 23 de julho de 2020, com a participação de profissionais renomados do mercado. 

Aceleração digital; crescimento expressivo do e-commerce; busca por alimentos que ajudam na imunidade; humanização das marcas e relações mais transparentes e a importância da inovação em momentos de crise foram aspectos unânimes abordados pelos convidados do evento. 

Selecionamos os principais insights em tendências e inovação apresentados durante os fóruns e preparamos um balanço com essas informações. Confira!

Pandemia amplia o interesse por alimentos que ajudam a fortalecer a imunidade

Diante de uma pandemia, a preocupação com a economia, que aparecia em primeiro lugar para os brasileiros, foi substituída pela preocupação com a saúde. Foi o que constatou a Nielsen, empresa global em informação, pesquisa e análise de mercado, de acordo com a Gerente de Contas da Empresa, Caroline Borba.

Como reflexo, os consumidores passaram a buscar mais do que opções saudáveis: eles querem garantias de que o consumo de determinado alimento ofereça segurança, estando livre de contaminações. 

Ao mesmo tempo, houve um crescimento no interesse por produtos que tenham como atributo o fortalecimento da imunidade, destacou Vanessa Rondine, Analista de Tendência Sênior na agência de inteligência de mercado Mintel:

“36% dos brasileiros entrevistados declararam ter consumido mais alimentos e bebidas com benefício de imunidade, como ingredientes específicos, e isso independe da classe econômica. Mesmo entre as pessoas que declaram estar enfrentando um desafio financeiro, é um interesse que vai continuar crescendo e tem bastante mercado para ampliar”.

Por outro lado, os consumidores também buscaram compensações aos impactos do isolamento por meio do consumo de alimentos e bebidas indulgentes, que oferecem conforto emocional, o que abriu oportunidades para este tipo de produto. 

“18% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter consumido alimentos ou bebidas que os ajudaram a lidar com a ansiedade durante a quarentena”, apontou a especialista da Mintel. 

Dados sobre o mercado e o comportamento de consumo de alimentos e bebidas na pandemia:

  • 36% dos brasileiros consumiram mais alimentos e bebidas com benefício para imunidade (Mintel);
  • 37,5% das categorias de alimentos ganharam força e 18% passaram a crescer neste período (Nielsen);
  • 15% dos brasileiros declararam ter comprado alimentos e bebidas de marcas conhecidas (Mintel).

Empresas aceleram transformação digital

Empresas aceleram transformação digital

Antes encarada como uma conveniência, a compra de alimentos e bebidas pela internet passou a ser uma necessidade. O resultado foi um crescimento expressivo nas vendas online: de 2,5%, as vendas em alimentos e bebidas pela internet no Brasil saltaram para quase 9%. Os dados foram apresentados por Pedro Navio, Presidente da Kraft Heinz para América Latina. 

Além de acelerar o e-commerce, a companhia investiu rapidamente para ter uma base maior e mais qualificada na etapa final da entrega dos produtos. Para isso, firmou parcerias com aplicativos de entrega como Rappi, Ifood e Uber Eats. 

A analista da Mintel também sinalizou que, para além da importância que o e-commerce conquistou neste momento, o fenômeno da digitalização que já vinha ocorrendo vai se firmar em todos os níveis de consumo. 

“No delivery, nas formas de pagamento e de outras maneiras que garantam segurança e conveniência ao consumidor”, acrescentou. 

Para a Gerente da Nielsen, é mais uma oportunidade tanto para o varejo como para a indústria aprimorarem suas plataformas digitais e oferecerem uma experiência cada vez melhor:

“Muita gente usava o online para fazer pesquisa. Agora, é para pesquisa e compra. A ferramenta da realidade aumentada para o consumidor entender melhor o produto que irá comprar pela internet também já está sendo utilizada, por exemplo. Isso tudo vai permanecer”. 

Digitalização acelerada:

  • Crescimento do e-commerce;
  • Aplicativos de entrega;
  • Soluções digitais para pagamento;
  • Realidade aumentada para exposição do produto.

Redes sociais se tornam protagonistas na comunicação com consumidores

Redes sociais se tornam protagonistas na comunicação com consumidores

O uso de redes sociais aumentou 76% durante o período de isolamento, com destaque para o Instagram, apontam pesquisas. E essas plataformas de relacionamento virtuais se tornaram fundamentais para as estratégias empresariais, para produção de conteúdo relevante, atendimento ao cliente e divulgação das marcas. O desafio passou a ser como se destacar entre tanta informação. 

Camila Renaux, consultora em Marketing Digital, defendeu que um dos caminhos para a diferenciação está no tipo de experiência que a marca promove.

“Estudos indicaram que 61% dos usuários de redes sociais destacaram a criatividade como maior diferencial de uma marca neste momento. Então não é sobre ter recursos, é sobre criar. Além disso, ser capaz de demonstrar zelo e empatia, seja nos processos, produtos ou serviços torna-se cada vez mais relevante”, reforçou. 

Consumidores esperam transparência e posicionamento

Junto com as mudanças de hábitos, também houve uma revisão de valores da sociedade. Mais do que nunca, os consumidores estão de olho na maneira como as marcas se posicionam e esperam que as empresas exerçam protagonismo na solução dos problemas sociais. 

“Que nível de transparência e envolvimento você tem com seu consumidor? É preciso explicar com clareza o que a gente vende, de onde vem o ingrediente, como é feito o produto. Isso, para mim, é mais do que um movimento, é a diferença entre a vida e a morte de uma empresa. Se não houver geração de valor claro em cada etapa da cadeia, a empresa perde importância, e isso independentemente de crise”, alertou Pedro Navio. 

Camila também reforçou essa ideia: “marcas humanizadas, que se posicionam e abraçam causas têm muito mais chances de sucesso.”

Inovação tem que chegar ao consumidor

Inovar pode ser o fator de sobrevivência de uma empresa durante uma crise, principalmente em uma situação como esta que mudou drasticamente a rotina dos consumidores e forçou uma migração para canais digitais, reformulou a maneira de comprar e estabeleceu novos padrões de segurança. Todas essas transformações e tendências aceleradas têm um denominador comum: a inovação, em um contexto que exige muita agilidade.

Foi assim que a Seara, empresa brasileira do ramo alimentício, reviu estratégias.

“No meio da pandemia, a Seara lançou a loja virtual que atende a algumas regiões do País, a exemplo de uma inovação no canal de venda. No site, o consumidor pode escolher os produtos e aplicativos de entrega levam as compra. Fortalecemos também a linha de alimentos vegetarianos levando em consideração a busca crescente por itens mais saudáveis. Além disso, criamos estratégias para nos aproximarmos de outras formas dos clientes, por meio de lives e ações como o Drive-in Fest que acontece em São Paulo. Esses são alguns exemplos de inovação que vão além de produtos, são ações alinhadas com o momento que a gente vive”, enumerou a Gerente de P&D – Inovação Plant Based da Seara, Renata Nascimento, em sua palestra.

Mas essa não é a realidade para boa parte das organizações. Cristina Leonhardt, Head de Inovação da Tacta Food School, realizou uma pesquisa para entender quais foram os impactos imediatos da pandemia nos setores de inovação e Pesquisa e Desenvolvimento dentro das empresas de alimentos e bebidas no Brasil. Essas foram as conclusões do estudo realizado em maio deste ano:

  • Mais de 31% afirmaram que seus projetos foram suspensos;
  • 58% disseram que seus projetos foram reduzidos;
  • 30% tiveram aumento no prazo de entrega de projetos;
  • Quase 15% sofreram redução de custos;
  • 64% não tinham lançamentos previstos para os próximos 2 meses.

“O impacto disso, além da perda de conhecimento estratégico, é uma redução na velocidade de projetos, o que já é um gargalo para a indústria. Com esse represamento, teremos mais desafios para gerir portfólio e decidir quais projetos terão prioridade”, analisou Cristina. 

“Existe um desejo pelo novo e a indústria de alimentos não pode deixar que essa inovação não seja entregue para o consumidor”, defendeu a Gerente da Seara sobre o papel da inovação neste momento e as oportunidades que ela representa.

Cristina corroborou: “Se queremos empresas inovadoras, com competência para conquistar novos mercados e usuários, se almejamos colocar a empresa em novos patamares de negócio, os esforços para inovar devem ser contínuos.”

Leia mais sobre outros temas abordados no evento DR Tá na Mesa nos links abaixo:

As mudanças provocadas pela pandemia exigiram reação rápida, adaptação à nova realidade e atenção ainda maior às necessidades dos consumidores. Empresas do setor alimentício e transformadores que buscaram alternativas em meio ao cenário turbulento e inédito para manter os negócios, enxergaram oportunidades e estão se preparando para a retomada. 

E a sua empresa, como está lidando com as adversidades neste cenário de pandemia? Conte para nós!

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