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Saudabilidade e bem-estar são prioridades na vida dos consumidores do século XXI. Apreensivos com os reflexos da vida moderna, como estresse e sedentarismo, eles estão cada vez mais preocupados com o sobrepeso e doenças crônicas como obesidade, diabetes, colesterol e hipertensão.

Pesquisa Nielsen de 2017 constata  que 57% dos brasileiros estão buscando perder peso e 78% deles estão mudando hábitos alimentares para cumprir com esse objetivo. Na América Latina, existem mais de 250 milhões de adultos com sobrepeso. Brasil (54%), México (64%), Colômbia (57%) e Argentina (62%) estão entre os 25 países com maior incidência deste problema.


Fonte: Nielsen

 

Em dez anos, obesidade cresce 60% no Brasil

No 1º semestre de 2017, estudo divulgado pelo Ministério da Saúde indica que, em 10 anos, a obesidade cresceu 60% no Brasil: a prevalência da obesidade passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016, atingindo quase um em cada cinco brasileiros.

E este crescimento não ficou restrito às pessoas com mais idade. A pesquisa alerta para a alta incidência da obesidade também entre os mais jovens, pessoas de 25 a 44 anos. Segundo o Ministério da Saúde, este cenário colabora para maior ascensão da hipertensão e diabetes.

O diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 e o de hipertensão de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016. Em ambos os casos, o diagnóstico é mais acentuado em mulheres.

Fonte: VIGITEL BRASIL 2016 / Ministério da Saúde

 

Os consumidores estão preocupados com este cenário.  A apreensão com estas doenças crônicas já havia sido indicada pelo projeto Brasil Food Trends 2020, realizado pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que divulgou em 2010 as tendências do perfil de consumo de alimentos no Brasil. Na pesquisa, os brasileiros apontaram sua preocupação com diabetes (28%), colesterol (13%), obesidade (12%)  e hipertensão (12%).


Fonte: Resultados da Pesquisa Fiesp/Ibope

 

E já que saúde é prioridade, veja as tendências de consumo no mercado brasileiro influenciadas pela busca por qualidade de vida.

Mais opções com reduções sem impacto no produto final

Segundo Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) divulgada em 2015, dos brasileiros que têm problemas de hipertensão, 91,1%  receberam recomendações médicas para reduzir a ingestão de sal e 88,4% para a manutenção de uma alimentação saudável. Todos esses números afetam diretamente as tendências de consumo no mercado brasileiro.

A atitude de adotar uma dieta com reduções enfrenta também dificuldades. Estudo da Mintel revela que um em cada três consumidores brasileiros, 29%, concorda que é difícil evitar comer produtos com muito sal. Enquanto isso, 28% dizem que é difícil encontrar substitutos para os alimentos com muito açúcar por algo que eles gostem.

Constatações que abrem grandes oportunidades para a indústria alimentícia atenta a estes aspectos e necessidades e, principalmente, com disposição de conquistar este consumidor ávido por mudanças nos seus hábitos alimentares.

Segundo pesquisa divulgada pela Nielsen, os consumidores latinoamericanos estão cada vez mais à procura de alimentos que ofereçam baixo teor de açúcar e de gordura e produtos frescos:

Fonte: Nielsen

Diagnóstico crescente de intolerâncias alimentares

Em paralelo ao avanço das doenças crônicas, também cresce a cada dia o número de pessoas com diagnóstico de intolerância a substâncias como glúten e lactose, outro aspecto que confere restrições aos alimentos.

“No Brasil, há 12 milhões de diabéticos e dois milhões de celíacos (com intolerância ao glúten), fora que 40% da população têm algum nível de intolerância à lactose. A intolerância a esta última substância é dominante geneticamente, o que faz com que a proporção tenda a crescer de geração em geração, até este índice chegar a 100%”, afirmou Daniel Walfrid, Sócio e Fundador do Clube do Zero, em entrevista ao site “Mundo do Marketing”.

Os brasileiros também esperam uma maior variedade de itens saudáveis disponíveis no varejo, segundo a Mintel. Naira Sato, especialista das categorias de Alimentação e Bebida, da Mintel, indica que eles gostariam de ter acesso não apenas a itens light e orgânicos, mas também a alimentos sem glúten, sem lactose e com colágeno.

Oportunidades para a indústria de alimentos

A preocupação crescente com o avanço das doenças, o diagnóstico mais preciso de intolerâncias alimentares e a maior conscientização do consumidor são importantes gatilhos que abrem grandes oportunidades para a indústria alimentícia. Ela precisa estar atenta a estes aspectos e necessidades e, principalmente, com disposição de conquistar este consumidor ávido por mudanças nos seus hábitos alimentares.

A indústria pode (e deve) assumir o papel de ajudar ao consumidor nesta busca por saudabilidade e bem-estar. A nutricionista Carolina Godoy, gerente de Novos Negócios da Consultoria Equilibrium, aponta três possíveis caminhos para esta proatividade:

1) Lançamento de produtos mais saudáveis;

2) Reformulação de produtos do portfólio, com, por exemplo, redução de nutrientes com impacto na saúde (gordura trans, sal, açúcar etc);

3) Comunicação mais clara de produtos com este apelo nas embalagens, posicionando-os como mais saudáveis.

Com dados tão preocupantes sobre a saúde da população brasileira, a indústria de alimentos e bebidas precisa se concentrar na elaboração de novos produtos voltados para esses públicos. Esse processo passa pela compreensão dos novos comportamentos de consumo e inovação para chegar às melhores soluções. Como a sua empresa está lidando com esse novo cenário? Comente seus desafios pra nós!

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