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Para as empresas, o momento pós-Covid é também para repensar estratégias para conectar-se com os consumidores e atender as suas necessidades. A nova forma de as pessoas se relacionarem é uma realidade, com barreiras que talvez demorarão a serem derrubadas. O seu negócio está preparado? Entenda mais


O distanciamento social motivado pela pandemia transformou radicalmente a rotina das pessoas, ressignificando seu relacionamento consigo mesmas, com suas famílias, amigos e a comunidade em geral. No entanto, velhos hábitos continuam — e para as empresas, entender esses comportamentos, medindo os contornos da nova socialização, é essencial. Afinal, como as pessoas estão driblando as restrições de convívio social e mantendo o contato com amigos, familiares e comunidade? Além disso, é impossível não considerar a alimentação como um dos pilares da socialização tradicional. A partir das mudanças impostas pela chegada da Covid, qual seu papel e como ela tem ajudado neste momento?

Acima de tudo, é hora de aceitar que, por pelo menos algum tempo, a sociedade experimentará um “novo normal”.

A pandemia do novo Coronavírus acabou por instaurar uma realidade que, apesar de surpreendente, não seria exatamente uma novidade.

Na verdade, em 2019, a Mintel, uma agência internacional especializada em pesquisas de mercado, já havia apontado que o isolamento social seria uma tendência para o começo da nova década.

A chegada do vírus apenas acelerou esse processo.

No entanto, é impossível não contrapor essa nova realidade com o fato de que a solidão causada pelo isolamento social forçado de fato acentuou a necessidade das pessoas — consumidores — por interação e conectividade.

Às empresas, está lançado o desafio de entender seu papel no meio dessa nova equação e como elas podem continuar agregando valor aos consumidores. E aqui a alimentação ganha destaque.

A seguir, nos aprofundamos ainda mais no assunto, relacionando dados de pesquisas recentes sobre comportamentos dos consumidores de todo mundo. 

Os impactos do isolamento social no comportamento dos consumidores

Segundo estudo “Covid-19 and Social Isolation” da Mintel, o isolamento social era uma tendência antes mesmo da obrigatoriedade imposta pela pandemia. De acordo com dados recolhidos, quase um terço dos millennials americanos descreviam o trabalho perfeito como home-office.

A nova geração também mostra suas preferências no Brasil: cerca de 36% dos consumidores brasileiros de 16 a 20 anos de idade preferem compras on-line.

Com a necessidade do isolamento social, empresas de todo mundo se viram na obrigação de testar a fundo o modelo home-office. Com isso, mais e mais pessoas puderam obedecer as imposições e ficar em casa.

Como isso se refletiu nos hábitos de consumo?

Bom, segundo mesma pesquisa da Mintel, 37% dos americanos passaram a realizar mais compras on-line — um movimento que com certeza se refletiu em todo mundo. Por exemplo, no Brasil, ainda em maio, cerca de 78% das pessoas evitou ir a lugares lotados.

Todas essas rupturas pintam dois cenários bem distintos: o antes e o agora.

Se antes a independência estava ligada ao isolamento opcional, sendo uma escolha pessoal pautada na liberdade — pessoal, profissional, etc, agora o jogo mudou. O distanciamento obrigatório de amigos e família vem afetando seu convívio.

Agora, atividades sociais tomam o ambiente digital — com as videoconferências. Se antes as mídias sociais eram vistas com uma desconfiança crescente, agora se tornam fonte de alívio. Um importante ponto de conexão.

Para empresas da área de alimentação, é preciso entender onde o seu serviço se encaixa. Restaurantes, provavelmente, possuem a tarefa mais complicada de todas até o momento.

De acordo com pesquisa “Coronavirus: The human Condition” da Datassential, 58% dos consumidores americanos definitivamente não irão comer fora nos próximos dias.

Ainda assim, é possível encontrar formas de, justamente, agir para aliviar a tensão do isolamento social.

Segundo a Datassential, é preciso “fornecer uma refeição socialmente distanciada, segura e divertida”.

Afinal, é inegável o aspecto engajador dos restaurantes: 71% dos entrevistados relacionam comer em restaurantes como uma hora boa de seus dias — e metade considera o pedido em restaurantes como um saída (ou folga) da situação da pandemia.

O novo normal: como será a socialização?

Há níveis e níveis de recuperação no pós-Covid. Na verdade, em muitos locais, ainda é cedo para denominar a situação com “pós”, como no Brasil. Com isso, é preciso ir além dos exemplos bem-sucedidos de fora e projetar a realidade brasileira.

Com base nos dados, é possível prever alguns cenários e comportamentos dos consumidores — especialmente em relação à socialização.

No estudo da Mintel citado anteriormente, é possível ver como as mídias sociais e a conectividade digital tornaram-se meios de comunicação potencializadores do lazer, das atividades sociais, do fitness e, claro, do trabalho.

Muito embora as atividades individuais estejam restritas ao ambiente residencial, ainda há um espírito comunitário bastante latente. Uma prova são exercícios guiados através de videoaulas no Youtube, ou outras atividades como cozinhar.

São várias as novas maneiras de se reconectar em uma cadência diária — e sobretudo criativa.

Ainda assim, já há indícios de um futuro pós-Covid que acontece em outras partes do mundo.

O estudo “Coronavirus: Here I Come” da Datassential identificou que 80% das pessoas vai manter o hábito de cozinhar algo “do zero”, sem dominar a receita. Já 74% vão aderir às assinaturas de kits de refeições e 76% continuarão pedindo refeições para toda família via delivery, pick-up ou drive-thru.

A alimentação durante e pós-Covid

É inegável que a alimentação convencional sofreu um impacto relevante em decorrência da pandemia. Segundo estudo “COVID-19 reinventou restaurantes e entrega na América Latina” da Mintel, 19% dos consumidores brasileiros estão comprando mais alimentos prontos de aplicativos.

Nesse aspecto, é possível ainda observar o impacto do isolamento diretamente na alimentação. Cerca de 18% dos consumidores brasileiros estão comendo cada vez mais alimentos indulgentes (pizzas, refrigerantes, etc) nos últimos meses, com o objetivo de lidar com ansiedade.

Ou seja, conforme a crise causada pela pandemia se alastrar pelos mercados latino-americanos, o bem-estar físico e psicológico das pessoas vai estar abalado.

Apesar de ser uma realidade espinhosa, é também um campo de oportunidades para que as empresas utilizem (ou reinventem) seus recursos na criação de soluções mais confiáveis.

Afinal, não é de hoje que a alimentação representa um escape. Segundo relatório “Coronavirus: The human condition” da Datassential, as pessoas relacionam o ato de comer em restaurantes como uma forma de relaxar (41%), meio de prazer (38%) e satisfação (35%).

Além de compor o núcleo do convívio social convencional, restaurantes, lanchonetes e bares são protagonistas também durante o Covid-19 — bem como serão no pós-Covid.

Sobreviver, porém, é uma questão de adaptação. É preciso que todo segmento de alimentação entenda essas novas necessidades, criando produtos ou promovendo sua marca de forma adequado ao tal do “novo normal”.

Uma das tendências mapeadas pela Datassential é a possibilidade de personalizar pedidos por delivery, o que torna toda experiência mais apelativa ao gosto de todos na casa.

Além disso, em consumidores americanos com crianças em casa, foi visto uma maior aderência às opções de alimentos “fáceis de agradar”. Em termos brasileiros, pode-se imaginar alternativas como batata frita, doces, etc.

A pesquisa também descobriu que 40% dos consumidores querem mais opções de comfort food. Ainda assim, não se deve apostar tudo na indulgência: 32% dos consumidores também busca por opções mais saudáveis.

Cases pelo mundo

De algo não há dúvidas: o momento atual é um terreno fértil para que as marcas se reposicionem, reforcem ou renovem sua conexão com os consumidores. Abaixo, obtenha insights valiosos conferindo cases de marcas pelo mundo:

Salvemos-Restaurantes-Equador
Salvemos Restaurantes (Equador)
Refeiçoes-prontas-via-assinatura
Refeições prontas via assinatura
Coletivo-de-apoio-para-cafeterias
Coletivo de apoio para cafeterias

A pandemia do novo Coronavírus instaurou uma série de mudanças na sociedade e, por consequência, no mercado e na indústria. Às empresas, cabe entender que esse não é apenas “um momento”, mas um novo normal.

A nova socialização, aos poucos sendo introduzida em nossa rotina, vai exigir um olhar diferente e novas percepções acerca dos comportamentos e das necessidades do consumidor.

Sua empresa está preparada? Esperamos que o artigo ajude você a encontrar essa resposta e vários outros insights!

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