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O perfil da população brasileira mudou. A expectativa de vida subiu de 48 anos, em 1960, para 75,5 anos atualmente. São 27,5 anos a mais de uma geração que também não para de crescer. Segundo dados do IBGE de 2016, a população idosa no Brasil é de 22,9 milhões de pessoas, 11,34% da população. E a estimativa é que nos próximos 20 anos este número mais que triplique.

Ou seja: o país está ficando mais velho! Um cenário que provoca uma verdadeira revolução no modo de viver e que, obviamente, se reflete nos hábitos de consumo de alimentos. Não só no Brasil, mas na América Latina e no mundo todo.

Mas será que a indústria de alimentos e bebidas está preparada para atender a este público que só cresce? No conteúdo a seguir, acompanhe a ascensão dessa e de outras fatias da população que influenciam em novos desafios e anseios e em uma busca cada vez maior pela saudabilidade.

A bola da vez

“Terceira idade será a bola da vez” foi o título da pesquisa divulgada em 2017 pela APAS de São Paulo, que aponta tendências do consumidor brasileiro. Realizado em parceria com as empresas Nielsen, Kantar Worldpanel, GfK e IBOPE, o levantamento indica que hoje a população acima de 50 anos representa 1/3 dos consumidores brasileiros.

A maior fatia de clientes, com o maior gasto (67%) nos supermercados, ainda está concentrada nas pessoas de até 49 anos (geração X). Mas, em 10 anos, este público estará na faixa dos idosos (baby boomers).

A Mintel divulgou em 2016 uma pesquisa que identificou novas demandas para produtos que promovem benefícios nutricionais, focados na saudabilidade. E que uma dessas demandas de consumo de alimentos e bebidas vem justamente da população que está envelhecendo.

O levantamento revela que 89% dos brasileiros acima de 55 anos concordam que vale a pena gastar mais com alimentos mais saudáveis, e quatro em cada cinco brasileiros, 83%, de forma geral, também dividem a mesma opinião.

Produtos premium, com menos sal, menos açúcar, menos gordura, mais proteínas – e em porções menores – estão entre os que ganham destaque para esta geração que quer viver bem e sempre melhor. E abrem infinitas oportunidades para a indústria alimentícia investir em aspectos que transcendem saudabilidade, funcionalidade, tamanho de porções para abordar inclusive peculiaridades da idade, como texturas mais macias (Mintel).

O (incontestável) poder dos millennials

Estudar as tendências de consumo da geração do milênio (millennials), pessoas com idades entre 21 e 34 anos, vale muito a pena. A estimativa é que em 2020 os gastos dos millennials em produtos e serviços cheguem a 1,4 trilhão de dólares por ano. Os millennials são altamente conectados, com forte poder de influenciação e representam hoje 24% da população mundial.

A geração do milênio é saudável. E muito disposta a partir para o consumo de alimentos e bebidas que possam ajudá-la neste estilo de vida. Pesquisa divulgada pela Nielsen em novembro de 2016 indicou que 81% dos millennials entrevistados aceitam pagar mais por alimentos que ofereçam benefícios à saúde.

Mas quais são os atributos que eles valorizam e que podem ser explorados muito mais pela indústria de alimentos e bebidas?

Produtos que tragam experiências estão entre suas preferências. Experiências que podem ser oportunizadas por sabores diferentes, como misturas de doces com salgados, frutas com pimentas etc.; sabores que lembrem alguma sobremesa ou alimento que remeta ao passado ou a uma cultura/região específica. Produtos com texturas diferentes. E também os que misturam marcas e categorias.

Os millennials valorizam a sustentabilidade e curtem produtos que contém uma estória verdadeira. E por serem mais conectados e multitarefas, consomem muito snacks. Em busca de indulgência e saudabilidade.

Fonte: Pesquisa Nielsen The Millennial Mindset

 

Source: Nielsen Shopper Solutions | Nielsen Generational Segmentation

 

O desafio de encantar a Geração Z

Conhecidos também como pós-millennials, estes consumidores com idades entre zero e 20 anos compõem 27% da população mundial e já sinalizam necessidades que transcendem a forma de relacionamento atual com as marcas.

Segundo relatório da Kantar Millward Brown 2016, esta emergente geração quer ter experiências com as marcas que, para estabelecerem vínculos com os sucessores dos millennials, terão de repensar sua presença digital e focar mais na cocriação, na autenticidade e na transparência essencial.

Mas assim como as outras gerações, ela também quer alimentação saudável e pagaria mais por alimentos com benefícios, segundo estudo da Nielsen sobre estilos de vida das gerações.

Fonte: Estudo Global sobre Saúde e Bem-Estar, 3º trimestre de 2014

 

O desafio das indústrias de alimentos e bebidas é entender essas mudanças de comportamento dos consumidores e estar preparada para os impactos disso em seus produtos. A inovação precisa ser constante e o conhecimento do mercado também.
E a sua empresa, já está pronta pra essa revolução?

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