A indústria e o bem-estar animal

dezembro 6, 2022

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Cada vez mais tem se falado sobre bem-estar animal. Afinal, qual a definição desse conceito? Em resumo, é quando os animais são respeitados em todos os sentidos – seja no âmbito biológico, fisiológico ou psicológico. 

É a criação de animais com a evidência do mais alto nível de bem-estar.

O foco é em possibilitar que eles estejam saudáveis, confortáveis, bem nutridos, seguros, capazes de expressar o comportamento inato e não estejam sofrendo com estados desagradáveis, tais como dor, medo e angústia. 

Desta forma, a sua característica biológica deve ser respeitada. Por exemplo, os frangos com o crescimento de maneira natural e saudável, as vacas com a produção natural do leite e os porcos sem comportamentos de extremo estresse. 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O tema de destaque já está inserido em vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e apresenta sinergia e interação com diversas megatendências abordadas no documento Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira. 

Faz parte de um conceito maior de sustentabilidade e não mais um item isolado na produção pecuária, já que está conectado com o meio ambiente, a saúde e as questões sociais humanas. Além disso, o bem-estar animal ganhou maior relevância com a pandemia de Covid-19. 

Finanças e índices de sustentabilidade

No mercado financeiro, já existem índices de sustentabilidade com indicadores. Por exemplo, o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da B3, que analisa as informações públicas de bem-estar nos documentos de empresas que operam com animais.

Esse direcionamento se tornou tão importante, que cada vez mais nascem novas leis e campanhas no mundo todo. 

Bem-estar animal ao redor do mundo

A União Europeia é líder mundial nessa área, com algumas das mais robustas normas mundiais em relação ao tema. Os restaurantes, refeitórios e cantinas na França são obrigados a indicar a origem da carne que servem, desde janeiro de 2022. 

Já nos Estados Unidos, mais especificamente na Califórnia, um dos estados com maior produção e consumo de ovos, foi criada uma lei para as galinhas poedeiras (além de vitelos e porcos), com a exigência de que sejam criadas com liberdade de movimento, garantia de espaço mínimo e livre de gaiolas.

A lei ainda proíbe, no território californiano, a venda de produtos que não obedecerem a essas regras – o que obriga a adaptação de outros estados a essas exigências.

No Brasil, já existem similares, como, por exemplo, a campanha “compromisso é coisa séria” da MFA (Mercy For Animals), que exige que os restaurantes utilizem ovos de galinhas livres de gaiolas. 

Bem-estar animal, eficiência e produtividade

Quem pensa que boas práticas de bem-estar animal estão ligadas a uma menor produtividade está muito enganado. Criadores de vacas leiteiras, por exemplo, conseguem uma maior produção com animais menos estressados, o que influencia positivamente na qualidade do leite.

Com os bovinos para abate não é diferente, já que boas condições de criação melhoram a saúde, reduzindo a mortalidade e a quantidade de carne danificada que seria descartada – diminuindo as perdas e aumentando a lucratividade. 

Nutrição animal

Outro aspecto importante é o cuidado com a nutrição do animal, pois o mesmo influencia diretamente no produto final. Na cadeia produtiva das galinhas poedeiras, a alimentação adequada é determinante na qualidade e capacidade produtiva dos seus ovos. Existem opções que conferem maior intensidade e fixação aromática para as rações, como o Granfeed, que é uma nova tecnologia de aromas em pó da STATERA. 

Bem-estar animal, o consumidor e o mercado

Os consumidores também estão mais preocupados com sustentabilidade e bem-estar animal. É crescente o interesse em informações sobre a origem do que consomem, o que reflete diretamente em suas escolhas de consumo e decisões de compra. 

De acordo com um estudo do Institute for Business Value (IBV), entre 61% e 70% das pessoas estão dispostas a pagar mais por produtos de empresas que sejam sustentáveis.

Já outra pesquisa realizada pelo grupo Pão de Açúcar (2019)  mostrou que 96% dos clientes consideram o bem-estar animal importante e 63% têm preferência por empresas que são comprometidas com esse tema. 

Hoje, são os consumidores que determinam como será o mercado. E eles exigem cada vez mais respeito aos animais. É por isso que grandes empresas de alimentos já exigem um alto padrão de produção de bem-estar animal dos seus fornecedores.

Uma maneira pela qual o consumidor pode identificar a procedência dos produtos e das marcas preocupadas com o bem-estar animal é por meio dos selos. No Brasil, os principais selos utilizados são:

Certified Humane Brasil
Baseado nas normas do Programa de Certificação Certified Humane Raised & Handled, as quais incluem uma nutrição equilibrada livre de antibióticos, abrigos e áreas de repouso para os animais e espaço adequado para a manifestação natural de cada espécie.
Certificado Bem-estar animal QIMA WQS
O selo de Bem-estar Animal nas embalagens, atesta o compromisso de seguir com congruência as normas no manejo pré-abate. O selo legítima também que os criadores estão atendendo às cinco liberdades que oferecem a estrutura de condições estabelecidas globalmente para a proteção do rebanho: estar livre de fome e sede; estar livre de desconforto; estar livre de doença e injúria; ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie e estar livre de medo e estresse.
Produtor do Bem
O selo produtor do bem é o primeiro selo brasileiro de certificação de bem-estar de animais de fazenda e de produtos plant-based. Desenvolveram rigorosos quesitos de auditoria e certificação, valorizando e estimulando o produtor local a buscar melhores patamares de bem-estar animal.
ESG Bem-estar animal
Certificação amiga do bem-estar animal: credenciam empresas de insumos que estejam alinhadas aos propósitos do nosso programa, promovendo, aumentando e/ou garantindo o bem-estar animal por meio dos seus produtos e/ou serviços.

Conheça algumas empresas que aderiram aos conceitos de bem-estar animal

NoCarbon
Pioneira na produção de leite “carbono neutro” no Brasil, a NoCarbon é uma marca sustentável de diversas formas. Não se preocupa somente com o balanço de carbono, mas também com o bem-estar animal, certificado pelo Instituto Certified Humane Brasil, uma das mais respeitadas ONGs do setor no mundo. A produção orgânica é certificada pelo IBD.
HEINZ
A Heinz lançou a primeira maionese com selo internacional de bem-estar animal: o Certified Humane assegura o manejo humanizado nas granjas. Ou seja, as galinhas são criadas num ambiente em que possam expressar o seu comportamento natural: soltas, com acesso a áreas externas e em ambiente adequado. A iniciativa faz parte das metas globais de ESG da Kraft Heinz até 2025, com o objetivo de utilizar somente ovos de galinhas criadas nesse sistema chamado de “free range”.
BARILLA
A Barilla, líder mundial na fabricação de massas, é reconhecida como a marca pioneira do segmento a apostar no movimento cage-free, que consiste em utilizar apenas ovos de galinhas livres de gaiolas. Nos produtos da linha de massas com ovos, a marca recebe o selo de bem-estar animal do Certified Humane Brasil em suas embalagens.
SEARA DAGRANJA
Os frangos da linha Seara DaGranja são criados em uma granja independente, em um ambiente com temperatura, umidade e espaço confortáveis para seu desenvolvimento. Lá, recebem uma alimentação composta por ração 100% vegetal, elaborada com os melhores grãos, minerais e vitaminas. A atenção se estende também à equipe que tem contato direto com a criação dos animais e é treinada para garantir que todos os procedimentos sejam seguidos corretamente. Possuem certificação internacional WQS, atestando que, em nenhuma etapa da vida, receberam qualquer tipo de medicamento, além do processo cuidadoso que garante o bem-estar animal.

Os pontos de atenção ao bem-estar animal já são uma realidade para as empresas de todo o mundo e têm como foco atender a uma necessidade do consumidor, que cada vez se sente mais responsável pelo que consome. Para ele, é importante garantir que os animais cresçam no seu habitat e mantenham o comportamento inato.

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