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Os avanços do movimento clean label e as novas oportunidades para alimentos e bebidas

maio 15, 2024

Tempo de leitura6 minutos

Para atender a crescente demanda por ‘rótulos limpos’, a indústria alimentícia tem criado soluções de maior apelo natural e fórmulas mais simples com ingredientes carrier free.

Na esteira do movimento crescente por saúde e bem-estar, tem despontado também o interesse dos consumidores por alimentos e bebidas clean label. O termo começou a ser usado para descrever uma demanda nutricional que envolve um consumo mais saudável e consciente de produtos.

Com os consumidores cada vez mais interessados em conhecer os ingredientes contidos nos alimentos e bebidas que ingerem, surgem também soluções para simplificar os rótulos, não gerar dúvidas e facilitar o entendimento pelos consumidores.

Uma pesquisa da Innova Market Insights mostrou que seis em cada dez consumidores globais estão interessados em aprender mais sobre a origem dos alimentos. 

Na França, de acordo com estudo da Mintel, 79% dos consumidores concordam que vale a pena pagar mais por alimentos com aromas e sabores naturais. Ainda de acordo com a pesquisa, na Índia, 36% dos consumidores concordam que ingredientes naturais e ausência de conservantes os encorajaria a consumir mais bebidas lácteas. Já na Itália, 46% dos entrevistados consumiriam bebidas esportivas com mais frequência se fossem feitas exclusivamente com ingredientes naturais, como aromas, extratos e desidratados.

Esses dados mostram que o movimento clean label evoluiu para uma definição mais ampla de saúde e bem-estar, englobando aspectos que vão além de rótulos mais limpos, como a atenção aos ingredientes e aditivos presentes, priorizando listas menores e com itens que os consumidores possam reconhecer facilmente e consideram saudáveis. Este movimento também evoluiu para um maior cuidado com o nível de processamento dos produtos, que passou a receber mais atenção dos consumidores.

Com isso, o conceito também se transformou em uma solução com alto valor agregado para os produtos alimentícios. 

Mas, afinal, o que são os rótulos limpos?

O termo clean label não tem uma definição única, mas basicamente está ligado à simplicidade dos ingredientes, o que resulta em uma percepção mais natural por parte dos consumidores. Os rótulos limpos também estão relacionados à segurança de alimentos, maior qualidade dos ingredientes e produtos, e à reduzida presença ou até ausência de aditivos. 

O cuidado com a origem dos ingredientes impacta nas escolhas de compra e, consequentemente, dita as tendências no desenvolvimento dos produtos. As principais preocupações dos consumidores se referem aos conservantes, embora os receios com corantes e aromatizantes artificiais também sejam considerados altos, incentivando a substituição por fontes naturais.

Mas é provável, aponta o relatório da Euromonitor, que a transparência desempenhe um papel ainda mais forte nos alimentos, para além dos ingredientes da fórmula e do aspecto nutricional. De acordo com pesquisa, uma proporção maior de consumidores prefere flexibilidade em sua alimentação em vez de compromisso estrito, o que indica um desejo por maior controle sobre o que consomem. É aí que pesa também a importância da clareza no conteúdo nutricional nos rótulos dos produtos.

A exemplo de países de diferentes regiões do mundo, no Brasil entrou em vigor, em 2022, a nova legislação sobre rotulagem nutricional frontal. Através dessa movimentação, a ANVISA busca conscientizar cada vez mais o consumidor a respeito dos impactos da sua alimentação na saúde. Além de facilitar a comparação nutricional entre os alimentos, através da padronização e incorporação da coluna de 100 g na tabela nutricional e a presença da lupa para três nutrientes de grande impacto na alimentação: sódio, açúcares adicionados e gordura saturada.

O açúcar está na mira

Outra tendência associada à saudabilidade e ao clean label é a redução de açúcar nas formulações, visando evitar a presença da rotulagem nutricional frontal e manter o rótulo limpo e atrativo ao consumidor. 

A menor presença do ingrediente tornou-se um dos atributos de saúde mais importantes para três em cada 10 consumidores dos Estados Unidos por causa da Covid-19, de acordo com a Mintel. 

Na verdade, a Covid reforçou um movimento que já acontecia. Mesmo antes da pandemia, 56% dos consumidores americanos estavam limitando a ingestão de açúcar. O mesmo vale para outros países. No Chile, por exemplo, para 37% dos adultos, a redução de açúcar é uma prioridade ao comprarem comida. Na China, 58% dos adultos entre 18 e 59 anos acham que precisam diminuir o consumo desse ingrediente.

É importante ressaltar, no entanto, que esse comportamento não significa que essas pessoas busquem produtos feitos com adoçantes. É por isso que soluções naturais para reduzir o açúcar vão se destacar no mercado, alertam os relatórios de tendências globais, como novas técnicas de processamento e formulações com ingredientes naturalmente mais baixos em açúcar para substituir o ingrediente atreladas a tecnologias que reforçam as notas doces.

O avanço dos ingredientes carrier free no movimento clean label

No desenvolvimento de produtos clean label, os ingredientes ganharam ainda mais destaque. As especificidades deles é que vão proporcionar uma formulação alinhada ao conceito, permitindo que as marcas explorem esta possibilidade em inovações de alimentos junto aos consumidores.

Um exemplo são os ingredientes carrier free (ou 100%), ou seja, isentos de matérias-primas com função de veículo, como é o caso da maltodextrina, que possui baixa funcionalidade e pode ser usada na formulação de um extrato em pó com fins de padronização ou para reduzir a formação de grumos durante a etapa de dispersão.

O uso de ingredientes carrier free abre diversas oportunidades no mercado para produtos com rótulos limpos. Entre essas possibilidades, a inclusão de frutas e vegetais na formulação é uma delas. Com diferentes tecnologias, é possível incluir frutas e vegetais desidratados em pó que preservam ingredientes ativos, componentes nutricionais e aromáticos no produto final. 

A solução permite ainda aos fabricantes divulgar nos rótulos o conteúdo real da fruta e sua equivalência em termos de frutas por porção.São inovações que vieram para atender a busca dos consumidores por saúde e bem-estar em uma nova era de rótulos limpos e redução de açúcar. Marcas em diferentes países do mundo estão explorando cada vez mais os atributos do conceito clean label para conquistar consumidores:

Yoga bar
Na Índia, a marca Yoga Bars aposta no apelo clean label, afirmando que seus produtos contêm ingredientes 100% naturais, sem adição de conservantes e sem produtos químicos.
Honesta
A Eckart Alimentos, uma tradicional empresa do Chile, diversificou o seu portfólio de doces e geleias ao lançar a marca Honesta, que aposta em um posicionamento de rótulo natural e limpo devido ao uso de ingredientes limitados e processamento mínimo.
Wat water
A Wat Water, marca da francesa AlterFood, explora na água com gás os sabores limão e lima, e traz as alegações natural, sem açúcar ou adoçantes e zero caloria.

No avanço do movimento por saúde e bem-estar, vem se destacando a procura dos consumidores por alimentos e bebidas clean label. Marcas atentas aos novos interesses do mercado têm investido cada vez mais em oportunidades dentro do conceito, que também se transformou em uma solução com alto valor agregado para os produtos alimentícios.

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