Tempo de leitura: 5 minutos

A conexão entre comida e humor tem despertado cada vez mais interesse de consumidores em busca de produtos que ajudem a aliviar o estresse, a relaxar ou a estimular a disposição, criando potenciais alternativas para marcas de alimentos e bebidas


 

Os estilos de vida modernos estão imprimindo novas necessidades a todas as gerações. Cada vez mais cientes de que a comida e a bebida podem sustentar sua saúde emocional, além de sua saúde física, os consumidores estão manifestando maior interesse em alimentos que estimulem o humor e ajudem a aumentar o bem-estar.

Análise da Mintel afirma que talvez nunca tenha havido uma oportunidade melhor para as indústrias de alimentos e bebidas apresentarem produtos relacionados ao conceito de mood food. Ou seja, àqueles com alegações de “humor e saúde emocional”, com efeitos calmante, relaxante, energético e até mesmo estimulantes de foco e maior clareza de pensamento.

Em um momento em que há muita desinformação nas redes sociais sobre dieta e saúde, o respaldo da ciência ajuda as marcas a construírem confiança dos consumidores e investirem em formulações de alimentos, bebidas e suplementos com ingredientes que aliviam o estresse e auxiliam no relaxamento, por exemplo, sem esquecer da saúde física.

Na natureza, existem ingredientes cientificamente comprovados para apoiar a saúde psicológica. Por exemplo, magnésio, vitamina C e algumas vitaminas do complexo B, incluindo tiamina, niacina, vitamina B6, biotina, folato e vitamina B12 já tiveram suas alegações de saúde aprovadas pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos).

Vários desses ingredientes começaram a ser usados ​​em lançamentos com conceito de mood food, com claims relacionados ao sistema nervoso, ao estresse e ao sono, por exemplo. A vitamina B1 foi usada em 45% dos lançamentos de alimentos com essas alegações, indica estudo global da Mintel (março/2018).

Indicados para crianças e adultos, os ingredientes que promovem o conceito de mood food têm aplicações em categorias variadas, desde sobremesas, bebidas como suplementos nutricionais, refrigerantes e chás até candies, snacks e iogurtes.

 

Mas por quê? A explicação vem da ciência

 

Mas por que um alimento pode provocar uma reação tão significativa no estado de humor de uma pessoa? A explicação vem da ciência: ao ingerir um alimento, os nutrientes nele contidos atuam na produção e liberação de neurotransmissores, substâncias que levam impulsos nervosos ao cérebro, órgão considerado responsável pelo estado de humor.

Em entrevista à Revista Scientific American Brasil, a nutricionista Juliana Schmitt, da Clínica Anna Aslan, destacou que os três principais neurotransmissores relacionados ao humor são a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

A serotonina — responsável pela sensação de bem-estar — age como sedativo e calmante. A dopamina e a noradrenalina dão mais energia e disposição, ajudam a aumentar o foco.

Estes neurotransmissores são elaborados a partir de determinados ingredientes que atuam no bom humor, como o aminoácido triptofano, carboidratos, ácido fólico, potássio, vitamina C, cálcio, vitaminas do complexo B, magnésio, selênio e os ácidos graxos.

 

Serotonina Dopamina e Noradrenalina
Produzida a partir da ingestão de alimentos ricos em triptofano, o aminoácido precursor do neurotransmissor, e de carboidratos.Sintetizadas com o auxílio de outro aminoácido importante: a tirosina.

 

Se a serotonina é a principal responsável pela sensação de bem-estar, relaxamento e otimismo, a falta dela pode provocar diversos efeitos no sistema nervoso, como depressão, ansiedade, aumento de peso e fadiga.

 

“Mas esse tempero da felicidade regula também diversas outras funções, como sono, nível de atividade motora, capacidade de aprendizagem e muito mais”, indica o artigo “Aspectos Cognitivos Superiores: uma Estreita Relação com o Alimento”, publicado pelas profissionais em psicologia Sandra Regina de Almeida, Dayane Soncin, Luciana Bria Lopes e Sandra Cristina Catelan-Mainardes.

 

Dados como estes explicam os “milagres” do chocolate e seu efeito antidepressivo, alcançado pelos seus minerais, especialmente o magnésio, e vários componentes que atuam como estimulantes do sistema nervoso, tais como teobromina, feniletilamina e serotonina.

Consumir chocolate pode ajudar, realmente, a melhorar o humor das pessoas, fazendo com que se sintam mais calmas. Esta constatação é apoiada pelo relatório Mintel’s Desserts & Sweets Consumption Habits – Brasil, fevereiro de 2018, no qual 34% dos consumidores dizem que ter sobremesas / doces melhora seu humor.

Equilibrar consumo é o ideal

 

Assim como o carboidrato (fonte de açúcar no organismo) é importante ingrediente para produção de serotonina, também conhecida como “hormônio da felicidade”, é preciso ter cuidado com o consumo excessivo de produtos com este ingrediente — como pães, massas —, que pode proporcionar um estado de euforia no início, mas depois levar a um quadro de tristeza e depressão.

Então, muito do estado de espírito da pessoa pode estar relacionado à comida que coloca no prato. E, claro, da quantidade que consome.

 

“Não existem alimentos milagrosos, que sozinhos alteram o humor”, alerta a nutricionista Juliana Schmitt.

 

O importante é manter uma dieta equilibrada, com alimentos ricos em nutrientes que acabam produzindo os neurotransmissores do bom humor.

É justamente aí que aumenta o interesse pelo conceito de mood food. A necessidade crescente entre os consumidores tem sinalizado às indústrias de alimentos e bebidas oportunidades com novas formulações com ingredientes que ajudem, por exemplo, a relaxar, combater a depressão e a ansiedade, melhorar o humor e espantar a tristeza.

E a sua empresa já tem algum movimento para lançar produtos que atendam ao conceito mood food? Conte para nós!

Compartilhe o conteúdo
Queremos te ouvir! Comente!