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2021 é aguardado com grande expectativa pela chegada da vacina, fim da pandemia e retomada do “normal”. Ao mesmo tempo, movimentos dos brasileiros antes e em meio ao cenário provocado pela Covid-19 já dão indicativos de caminhos e oportunidades para as indústrias de alimentos e bebidas atenderem às necessidades dos consumidores


2020 está chegando na reta final e a expectativa para o novo ano aumenta a cada dia. A chegada da vacina contra o novo Coronavírus, o fim da pandemia e a retomada de uma rotina “normal”, que talvez seja contraponto entre o novo e o renovado, são as situações mais aguardadas. 

Sobre expectativa da próxima rotina e seus comportamentos, a partir da análise de alguns movimentos que ou surgiram durante a primeira onda da Covid-19 ou se fortaleceram diante dela é possível buscar traçar um panorama do que será importante atentar-se, principalmente no mercado de alimentos e bebidas, para estar de acordo com as necessidades do consumidor brasileiro. 

Da negação à racionalidade, durante a evolução da pandemia, os brasileiros passaram por diferentes estágios de comportamento e necessidades, ao menos é o que indica o estudo Covid-19 Global Consumer Barometer, publicado em agosto deste ano pela Mintel, agência internacional de inteligência de mercado. 

No período pré-Covid, segundo o relatório, o cuidado com a saúde física e mental eram comportamentos bem instalados entre os consumidores brasileiros. Isso somado ao conceito de empoderamento, luta por direitos e causas, principalmente junto aos mais jovens, e à sustentabilidade, um dos assuntos que deve continuar sendo uma forte missão das empresas em todas as categorias. 

Em 2019, de acordo com a Nielsen, empresa global em informação, pesquisa e análise de mercado, 42% dos consumidores haviam mudado seus hábitos no País para reduzirem o impacto no meio ambiente. 

Com o avanço da pandemia, do medo e de todas as restrições das relações humanas, ganharam foco as novas formas de comunicação, o saudosismo em relação a uma liberdade não muito distante, como também a valorização daquilo que realmente importa, como os momentos em família e lembranças da infância. 

Em meio a este cenário, o senso de comunidade também falou mais forte. Foi justamente quando marcas foram além da oferta de produtos para realçarem a importância de seu papel na comunidade. Produção e distribuição de álcool gel e campanhas de valorização do comércio local foram algumas das ações de forte presença. 

Nostalgia inspirando confiança

Voltando um pouco na questão da nostalgia, vale lembrar que, apesar do fortalecimento da sua importância nos primeiros estágios da pandemia, esta é uma pedida do consumidor anterior a ela. Em julho de 2019, 80% dos brasileiros entrevistados pela Mintel indicaram gostar de coisas que remetam ao passado.  

Apesar de ser uma visão mais direcionada ao varejo, a fala de Iza Dezon, da Dezon Consultoria Estratégica, em matéria recente no portal Whow, aponta para a entrada na era das emoções, considerando que 80% dos impulsos das pessoas são emocionais.

Além do despertar de uma boa lembrança, essa relação profunda com a marca indica confiança, um dos atributos que fizeram a diferença em todo este período de incertezas, colocando a extrema necessidade da proximidade da marca junto ao consumidor. Este quesito foi importante na classificação das marcas mais encantadoras do Brasil em 2020, estudo realizado pela agência de comunicação Umbigo do Mundo para a revista Consumidor Moderno. Em alimentos, o atributo foi apontado por 39,9% dos respondentes e, em bebidas, por 41,1%.

Transparência e empatia

A visão de proximidade pode se assemelhar muito ao conceito de transparência, visto que, para estar próximo, não basta a comunicação, mas também a empatia entre as causas e identificação com a marca. Esta é a primeira tendência global apontada pela Innova Market Insights para 2021, colocando a transparência além da lista de ingredientes e a marca também como um ser social. 

No momento atual, com uma visão mais racional sobre a pandemia, alguns comportamentos do período pré-Covid foram retornando ao foco dos consumidores. Enquanto, em maio, comer de forma saudável era prioridade para 44% dos brasileiros, em setembro, o índice subiu para 59%, segundo dados avaliados pela Mintel nos estudos sobre o impacto da Covid-19. 

Imunidade e saúde mental em alta

Além das reduções tradicionais de açúcar, sal e gordura, que serão reforçadas ainda mais com a nova rotulagem de alimentos industrializados em 2022, importante destacar que as funcionalidades ganharam ainda mais espaço. Em março, a Kantar,  consultoria especializada de inteligência de mercado, indicou que 330 mil novos lares começaram a consumir vitaminas, principalmente a vitamina C. De acordo com a Mintel, 34% dos consumidores passaram a consumir alimentos e bebidas com ingredientes adicionados para o fortalecimento do sistema imunológico. E isso deve evoluir ainda mais.

No entanto, outras necessidades também se fortaleceram, como o alívio do estresse, necessidade de 40% dos brasileiros com alimentos e bebidas, segundo estudo da Mintel, o que mantém em voga a preocupação com a saúde mental, prioridade para 63% dos entrevistados. Energia, relaxamento, concentração, entre outros benefícios, devem ter uma busca crescente daqui para frente. A questão é dar acesso ao consumidor a produtos que contribuam para estas necessidades.

A casa ressignificada: conveniência

Outro comportamento retomado foi a conveniência. Cozinhando em casa, porém mantendo sua rotina de trabalho, o brasileiro teve que manter sua administração do tempo, além de querer uma experiência que vivenciava em bares e restaurantes com maior facilidade. 

Os aplicativos de delivery tiveram expansão, restaurantes adaptaram cardápios e até criaram kits de refeição para transportar a sensação do consumo fora do lar para dentro dele. A casa foi ressignificada. E isso ainda deve se permanecer, principalmente com políticas de home office sendo adotadas por algumas empresas. 

Valorização do localismo

Apesar de talvez estar muito ligado ao aspecto econômico do que pelo protecionismo do que é local, o localismo também é um movimento que se transformou durante este período. De acordo com a Kantar, entre os meses de abril e junho, em comparação com o mesmo período do ano passado, as marcas locais ganharam ainda mais força, passando de 65% para 66% de representação em valor no mercado nacional. Com preço médio 7% menor do que as marcas globais, a importância foi impulsionada por consumidores das classes C. 

Sobre o movimento ainda há um caminho além do preço para ser desenvolvido, como o aumento da confiança e a valorização dos ingredientes locais, o que já caracteriza o movimento ao longo do globo.

Sustentabilidade ganha mais força

Indo por este caminho, a sustentabilidade, uma preocupação nos tempos pré-Covid, deve ganhar ainda mais força. 

As constantes notícias sobre o meio ambiente, a revolução da alimentação plant-based e o ativismo das classes mais jovens devem contribuir para a força deste movimento. E participar do mesmo pode ser uma garantia de futuro no mercado geral.

Sobre as reflexões trazidas no post de hoje, o que você acredita que vai estar em evidência em 2021? Conte para a gente!

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