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As projeções de crescimento demográfico para o século 21, o envelhecimento da população e as necessidades dos consumidores desta nova era são alguns dos fatores que impactam diretamente nos rumos da indústria de alimentos e bebidas



Não há como falar do
mercado de alimentos sem considerar a movimentação da população global. Afinal, são os consumidores, suas necessidades e comportamentos que ditam os avanços e transformações do setor.

No século 20, a explosão populacional nas cidades foi acompanhada pela evolução das indústrias de alimentos e bebidas no propósito de atender às necessidades de alimentação impressas pelo estilo de vida urbano.

No século 21, projeções demográficas da ONU (Relatório 2017) indicam, por exemplo, que:

  • A cada ano o planeta ganhará 83 milhões de novas bocas para alimentar;
  • A população aumentará muito, principalmente nos países pobres da Ásia e da África;
  • O envelhecimento crescente na estrutura etária será intensificado nas próximas décadas;
  • Há uma necessidade urgente de equilíbrio no acesso e distribuição de alimentação entre os habitantes dos países mais pobres e os países desenvolvidos.


São algumas constatações que ajudam as indústrias de alimentos e bebidas a nortearem suas pesquisas e desenvolvimento de tecnologias para atenderem aos consumidores de todos os cantos do mundo.

Acompanhe o conteúdo a seguir e veja alguns dados mundiais que impactam na indústria de alimentos e os números do setor no mercado brasileiro..

 

ÍNDICE

 

Crescimento da população mundial e brasileira


O crescimento da população mundial seguirá em ritmo intenso até a metade do século 21. Serão 83 milhões de novas bocas a alimentar por ano até 2050. O número de habitantes saltará de 7,6 bilhões em 2017 para 8,6 bilhões em 2030, um aumento de 1 bilhão de pessoas em 13 anos, segundo Projeção Demográfica Mundial da ONU – Relatório 2017. Em 2050, serão 9,77 bilhões de habitantes. A grande maioria vivendo em centros urbanos.

Países pobres da África e da Ásia serão os responsáveis pelo grande crescimento da população mundial, mesmo diante um de um quadro em que já há 83 países com taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição.

Se de um lado há crescimento dos jovens; de outro, cerca de metade da população mundial está reduzindo, com elevado envelhecimento dos habitantes. Segundo o relatório da ONU, globalmente, a população com 60 anos ou mais está crescendo mais rapidamente do que todos os grupos etários mais jovens. Este movimento começou pela Europa, onde 34% da população terá mais de 60 anos até 2050. Hoje, eles correspondem a 12% dos habitantes do planeta (901 milhões de pessoas). Em 2050, serão 21,6% (2,1 bilhões).


Para o Brasil (209 milhões de habitantes), 5º país mais populoso do planeta, a previsão da ONU é de que o crescimento demográfico seja mais lento, a partir de agora, devido às taxas de fertilidade que baixaram na maioria das regiões do mundo. O país está entre os 10 que registraram menor fertilidade em relação ao nível de reposição entre 2010 e 2015. O pico populacional (máximo da população antes do início do decrescimento) deve ocorrer em 2047, quando a população pode atingir 232,8 milhões de habitantes. Em 2055, a população brasileira deve cair ligeiramente para 231,5 milhões e pode chegar a 190 milhões em 2100.

 

Projeções para 2030

A Índia – que atualmente tem 1,3 bilhão de habitantes ou 18% da população mundial – passará em aproximadamente 7 anos a China – que agora tem cerca de 1,4 bilhão de habitantes – como o país mais populoso do planeta.

A população da Ásia passará de 4,5 bilhão para 4,9 bilhão.

A população da África aumentará entre 2017 e 2030, passando de 1,256 bilhão para cerca de 1,7 bilhão.

A Europa será a única região onde o número de habitantes se reduzirá entre 2017 e 2030, passando de 742 milhões para 739 milhões.

Projeções para 2050

Mais da metade do crescimento populacional entre 2017 e 2050 se concentrará em 9 países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos, Uganda e Indonésia.

Entre os 10 países mais populosos do mundo, a Nigéria é onde a população cresce a um ritmo mais forte. As projeções indicam que a Nigéria superará os EUA como o terceiro país mais populoso antes de 2050.

A ordem dos 10 países mais populosos vai mudar em 2055:

  • Índia (1,67 bilhão)
  • China (1,33 bilhão)
  • Nigéria (451 milhões)
  • EUA (397 milhões)
  • Indonésia (323 milhões)
  • Paquistão (319 milhões)
  • Brasil (232 milhões)
  • República do Congo (218 milhões)
  • Bangladesh (203 milhões)
  • Etiópia (202 milhões)

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Fome x desperdício

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Em relatório divulgado em 2016, a ONU revelou que a fome voltou a crescer, após uma década em decréscimo, atingindo 815 milhões de pessoas (11% da população mundial), principalmente vítimas de conflitos em países como Sudão do Sul, Iêmen, Somália e Nigéria, e de desastres naturais.

O estudo mostra que, após mais de 10 anos de avanços na luta contra a fome no mundo, o número de pessoas afetadas pelo problema cresceu em 38 milhões em relação ao ano de 2015, voltando aos níveis registrados em 2012.

O estudo das Nações Unidas menciona ainda diferentes formas de má nutrição, como a obesidade, que atinge 641 milhões de adultos, ou 13% do total de adultos do planeta.

Em sentido totalmente inverso, países da União Européia começaram a se articular para reduzir pela metade a quantidade de seus alimentos descartados até 2030. Segundo relatório do Parlamento Europeu, cada cidadão da UE desperdiça anualmente, em média, 173 quilos de comida. São quase dois quilos de alimentos jogados no lixo a cada semana.

Ou seja, não há falta de alimentos, mas má distribuição entre as regiões do planeta.

 

 

Tendências de alimentação

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O crescimento da população global, o envelhecimento acentuado das pessoas, a preocupação com a fome e a má nutrição e a urbanização consolidada são fatores que seguirão norteando os rumos da alimentação mundial.

As macrotendências divulgadas por diferentes institutos de análises de mercados, como Mintel, Euromonitor e Nielsen, confirmam a busca crescente do consumidor, diante do seu ritmo frenético de vida, por alimentos convenientes, práticos, indulgentes, que tragam maiores benefícios nutricionais e funcionais, naturalidade e novas experiências, por exemplo.

O pesquisador do Ital Airton Vialta reforça que a “produção em escala industrial permite reduzir o custo dos alimentos na medida em que contribui para diminuir perdas e desperdícios; usa de forma mais eficiente a água, energia e outros insumos, e proporciona oferta de produtos seguros, de qualidade e com grande conveniência de consumo”.

No artigo “Nós e a comida processada”, a nutricionista Márcia Terra, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), corrobora as necessidades do estilo de vida moderna: “Imagine o mundo sem as fábricas de massa e de molho de tomate enlatado. Longe de fugir deles, deveríamos estar clamando por mais alimentos industrializados de alta qualidade. Se romantizarmos o passado, podemos esquecer o fato de que a economia industrial moderna e global nos permite apreciar os sabores dos alimentos tradicionais, frescos e naturais.”

 

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