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O movimento por mais naturalidade e funcionalidade nos alimentos colocou novamente em evidência o uso de plantas aromáticas e especiarias no preparo de bebidas, uma prática que remonta à antiguidade dos povos egípcios e gregos.

As bebidas vêm se destacando, entre os alimentos funcionais, como a categoria mais consumida, principalmente devido à conveniência em atender as necessidades do consumidor em relação à aparência e forma de consumo, melhores possibilidades de armazenamento e chances de incorporar nutrientes e compostos bioativos. 

Mais de 4.600 bebidas foram lançadas entre junho de 2017 e maio de 2019 em todo o mundo (Mintel), incluindo carbonatadas, substitutos de refeição, cervejas, energéticos, chás prontos para beber, refrescos, águas saborizadas, entre outros.

O interesse em alimentos e bebidas ricos em compostos bioativos está relacionado aos seus comprovados efeitos positivos na prevenção e tratamento de doenças. Além de vitaminas, minerais, ácidos graxos, proteínas e outros nutrientes, as plantas apresentam em sua composição substâncias provenientes do metabolismo secundário vegetal, pertencentes às mais variadas classes, como polifenóis, alcalóides, terpenos, entre outros. 

Estudos realizados em extratos de ervas, frutas e vegetais demonstram importantes ações biológicas, como antioxidante, antidiabética, anticarcinogênica e antimicrobiana, relacionadas diretamente à composição fitoquímica vegetal.

Confira o artigo completo:

Extratos botânicos: aroma e funcionalidade para bebidas

A utilização de plantas aromáticas e especiarias no preparo de bebidas é relatado há muitos séculos, desde os povos egípcios e gregos. As primeiras bebidas aromatizadas foram desenvolvidas na busca por propriedades terapêuticas de espécies vegetais. Alguns registros históricos apontam Hipócrates como o possível inventor do vinho aromatizado com propriedades digestivas, também conhecido como vinum absinthianum, precursor do atualmente conhecido vermouth.

Ao longo do tempo, o desenvolvimento de técnicas de obtenção mais apropriadas e mudanças nas preferências dos consumidores resultaram na evolução dos diferentes tipos de bebidas aromatizadas, e mais do que nunca, plantas aromáticas e óleos essenciais passaram a ter um papel fundamental na obtenção destes produtos. Além disso, pesquisas contínuas possibilitam o desenvolvimento e utilização de métodos inovadores de extração para que os produtos finais contenham não somente o perfil aromático desejado, mas também apresentem propriedades benéficas à saúde.

O interesse em alimentos e bebidas ricos em compostos bioativos está relacionado aos seus comprovados efeitos positivos na prevenção e tratamento de doenças. Além de vitaminas, minerais, ácidos graxos, proteínas e outros nutrientes, as plantas apresentam em sua composição substâncias provenientes do metabolismo secundário vegetal, pertencentes às mais variadas classes, como polifenóis, alcalóides, terpenos, entre outros. Estudos realizados em extratos de ervas, frutas e vegetais demonstram importantes ações biológicas, como antioxidante, antidiabética, anticarcinogênica e antimicrobiana, relacionadas diretamente à composição fitoquímica vegetal.

Dentre os alimentos funcionais, as bebidas se destacam como a categoria mais consumida, principalmente devido à conveniência em atender as necessidades do consumidor em relação à aparência e forma de consumo, melhores possibilidades de armazenamento e melhores chances de incorporar nutrientes e compostos bioativos. 

As bebidas funcionais podem ser classificadas como águas fortificadas, chá, sucos, bebidas energéticas, além de bebidas antioxidantes com propriedades antienvelhecimento ou relaxantes.

Em nível global, entre junho de 2017 e maio de 2019, foram lançados mais de 4.600 novos produtos no setor de bebidas, compreendendo bebidas carbonatadas, substitutos de refeição, cervejas, energéticos, chás prontos para beber, refrescos, águas saborizadas, entre outros. 

Dentre os principais extratos aplicados nos novos produtos, pode-se citar extratos de Lúpulo, Guaraná, Gengibre, Extratos Herbais, Ginseng, Limão, Quinino, Baunilha, Hibisco e Chá Verde (Mintel, 2019).

O processo de extração possibilita retirar, da forma mais seletiva e completa possível, as substâncias ou fração ativa contidas na droga vegetal (folhas, galhos, sementes, frutos, flores, raízes, dentre outros), utilizando, para isso, um líquido ou mistura de líquidos tecnologicamente apropriados e toxicologicamente seguros. O líquido é, então, separado do material vegetal, podendo ser utilizado tal como obtido, como é o caso de chás e tinturas, ou pode ser concentrado e/ou seco. 

A utilização de extratos vegetais possibilita o desenvolvimento de bebidas melhor balanceadas nutricionalmente, naturalmente aromatizadas e fonte de substâncias fisiologicamente ativas. 

Alguns exemplos de extratos fontes de compostos funcionais são:

– Guaraná: fonte de metilxantinas como cafeína e tebromina, que proporcionam ação energética e estimulante;

Mate verde e mate tostado: além de ação estimulante devido à cafeína e teobromina, são ricos em polifenóis, compostos com importante ação antioxidante;  

Açaí: antioxidante por causa da presença das antocianinas;

Acerola: antioxidante, fonte de vitamina C.

Os extratos vegetais também são amplamente utilizados pela indústria de bebidas alcoólicas, fornecendo as características sensoriais desejadas para esses produtos. 

Extratos amargos, obtidos a partir de Quassia amara, Jurubeba e Marapuama também possuem ação digestiva.  Extratos de Carvalho, Zimbro e Catuaba fornecem características amadeiradas e adstringentes a vinhos e destilados. 

Extratos mais aromáticos, provenientes de especiarias como Anis, Canela, Cravo e Gengibre, além dos odores e sabores marcantes, também exercem função termogênica e antioxidante. 

Para fornecer notas frutais às bebidas são utilizados extratos de Maracujá, Morango, Framboesa, entre outros.

Em conexão com os movimentos crescentes dos consumidores em busca de naturalidade, saúde e bem-estar na alimentação, a Duas Rodas conta com um amplo portfólio de aromas naturais, extratos vegetais e de desidratados de frutas e vegetais, como açaí, acerola, entre outros, obtidos com rigorosos padrões de produção e garantia de qualidade total. 

Nascida em meio à diversidade do maior bioma do mundo, a multinacional brasileira investe estrategicamente no desenvolvimento de ingredientes naturais, aliando sua tradição de 95 anos, tecnologia de ponta, capacidade intelectual e conhecimento apurado em alimentos, para oferecer soluções de alta performance para as indústrias de alimentos e bebidas.

Um dos destaques do portfólio de ingredientes naturais é a Fruittion Botanicals, uma linha exclusiva de aromas, extratos padronizados em ses respectivos princípios ativos e desidratados inspirada pela diversidade da botânica latino-americana.

Karina Luize da Silva

Especialista em Pesquisa e Desenvolvimento de Extratos e Desidratados 

Tailyn Zermiani dos Santos

Analista em Pesquisa e Desenvolvimento de Extratos e Desidratados 

Referências:

CORBO, R. M.; BEVILACQUA, A.; PETRUZZI, L.; CASANOVA, F. P.; SINIGAGLIA, M. Functional Beverages: The Emerging Side of Functional Foods Commercial Trends, Research, and Health Implications. Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety, v. 13, 2014.

TONUTTI, I.; LIDDLE, P. Aromatic plants in alcoholic beverages. A review. Flavour and Fragrance Journal, v. 25, p. 341–350, 2010.

GRUMEZESCU, A. M.; HOLBAN, A. M. Engineering tools in the beverage industry Volume 3: The Science of Beverages. Elsevier, 2019. 506 p.

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