Tempo de leitura: 5

Em meio às novas exigências dos consumidores, que querem alimentos mais saudáveis e sustentáveis, as regulamentações brasileiras e mundiais do setor alimentício também estão se adaptando.


 

Preocupados também com os índices de doenças relacionadas à má alimentação, vários órgãos reguladores estão implementando novas regras para a produção de alimentos e bebidas e ajudando a trazer mais saúde para a população.

Continue a leitura e saiba mais!

Redução de açúcar

Pressionados pelos índices crescentes de obesidade e diabetes da população e por uma preocupação maior com a saudabilidade, governo e indústrias deram largada, em 2017, a oficinas que estão discutindo ações para reduzir o açúcar nos alimentos processados no Brasil.

Em 10 anos, a obesidade cresceu 60% no país, inclusive entre os jovens, atingindo quase um em cada cinco brasileiros, segundo estudo divulgado pelo Ministério da Saúde em junho de 2017.

Alerta global da OMS

Os dados de obesidade, excesso de peso e diabetes são tão preocupantes que a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um apelo global em 2016, cobrando dos governos mundiais medidas para solucionar estes desafios. A OMS reforçou o alerta para a explosão no número de diabéticos. Em 1980, eles somavam 108 milhões de pessoas pelo mundo. Em 2014, o total era de 422 milhões. Em 2012, contabilizou 1,2 milhão de mortes.

Para combater a epidemia global de obesidade, a agência de saúde das Nações Unidas apresentou recomendações aos governos que vão desde a implementação de imposto de 20% sobre os produtos de alto teor calórico até a aplicação de sistemas padronizados de rotulagem na frente dos produtos para facilitar a compreensão.

México e Hungria já se anteciparam e instituíram impostos sobre os produtos com alto teor calórico. Com a triste liderança mundial em obesidade, o México estabeleceu a taxa de 10% sobre bebidas com adição de açúcar, em 2014, buscando a contenção do consumo destes produtos. A Colômbia também iniciou os debates para estas iniciativas.

A OMS recomenda o consumo máximo de 50 g de açúcar por dia, ou 18,25 kg por ano, mas o brasileiro ingere, em média, 30,05 kg de açúcar por ano, segundo Pesquisa Orçamentária Familiar do IBGE.

As empresas que buscarem o quanto antes melhorarem os benefícios à saúde de forma proativa, antecipando-se à tempestade para aqueles produtos com alto teor calórico, estarão à frente de seus concorrentes para potencializar suas vendas nos próximos anos, alerta a Nielsen.

Menos sódio na vida do brasileiro

O movimento para redução de ingredientes em alimentos processados teve início em 2008 no Brasil e já apresenta resultados positivos.

O primeiro acordo entre o Governo Federal e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) foi responsável pela retirada de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos fabricados entre 2011 e 2016.

O desafio é a indústria ajudar o brasileiro a reduzir a ingestão de sódio de 12 gramas por dia, quantidade mais que o dobro do máximo sugerido pela Organização Mundial da Saúde, que é de cinco gramas. Estes hábitos são responsáveis por causar doenças como hipertensão, diabetes e obesidade que, junto a doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer, respondem por 72% dos óbitos no país.

Em junho de 2017, esta parceria entre governo e indústrias foi renovada por mais cinco anos, até 2022, com o objetivo de retirar, no total, 28,5 mil toneladas de sódio dos produtos. Até agora, foi detectada redução no teor de sódio em 30 categorias de produtos da indústria de alimentos, que representam cerca de 70% do faturamento do setor.

A primeira categoria a reduzir sódio em sua composição foi a de pães, bisnaguinhas e massas instantâneas. Em 2011, quatro fatias de pão por dia representavam 40% da quantidade de sódio diária (796 mg). Após o acordo, esse índice, em 2016, passou a ser 22% (450 mg). Em 2020, a expectativa é chegar a 20% (400 mg).

O Portal Brasil destaca outras categorias que já adotaram a redução:

Mistura para sopas: quantidade caiu 65,15%. Antes, eram mais de 300 mg de sódio para cada 100 g de alimento. Agora, são 115,5 mg.

Sopas instantâneas: a redução foi de 49,14%. Quantidade passou de 339,4 mg para 170 mg por 100 g de alimento.

Linguiça cozida à temperatura ambiente: foram registradas reduções de 15,6%.

Linguiça frescal: a redução foi de 10,5%.

Linguiça cozida resfriada: redução de 9,4%.

Queijos e requeijões: reduções de 23,1% e 20,4%, respectivamente.

Rótulos mais completos (e fáceis de entender!)

A crescente preocupação da população com a saudabilidade também tem levantado discussões técnicas em relação a rótulos, para que apresentem informações de forma a facilitar o entendimento do consumidor na hora da compra.

Recentemente, a Anvisa anunciou novas legislações sobre rotulagem de alergênicos e declaração de lácteos nos produtos. E está conduzindo debates sobre rotulagem nutricional e de glúten.

As mudanças de regras legais no setor alimentício são um caminho sem volta. Isso significa que saem na frente as indústrias que se anteciparem e investirem em uma comunicação mais clara com o consumidor e na produção de alimentos e bebidas mais saudáveis. Falando em mudanças, veja como as novas gerações estão mudando os hábitos de consumo no Brasil.

Compartilhe o conteúdo

Marcadores
Queremos te ouvir! Comente!