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A quarta geração das compras corporativas será marcada pela consolidação de sistemas automatizados e pelo uso de tecnologias digitais, reforçando o papel estratégico dos profissionais da área na busca por melhores negociações e soluções de valor agregado para o cliente final.


Comandada pela transformação digital, a 4ª revolução industrial está impactando fortemente os negócios de diferentes segmentos pelo mundo e já começa a aterrissar na área de Compras com a promessa de fazê-la alçar voos cada vez mais altos, ampliando o seu potencial estratégico nos negócios, agregando valor ao produto final e assegurando competitividade às empresas.

A era Compras 4.0 será marcada pela geração cada vez maior de demandas automatizadas e digitalização de processos, abrindo novas oportunidades para inovação de produtos e serviços nas empresas, afirma Alex Leite, diretor educacional da Live University Inbrasc, em entrevista exclusiva concedida ao blog Flavors & Botanicals. 

De acordo com ele, o papel estratégico da área de Compras começou a ganhar maior relevância nos últimos 3 a 4 anos, impulsionado pela crise econômica no Brasil. E esta lógica será crescente à medida em que as empresas, e os profissionais que atuam em Compras, investirem nas oportunidades disponibilizadas pela revolução digital.

A adesão às tecnologias da era 4.0 na área de Compras ainda é pequena, mas deverá avançar, tornando o setor ainda mais estratégico nas empresas, prevê Alex, mestre em administração de empresas, com formação executiva em planejamento estratégico avançado pela UC Berkeley e MBA em Gestão de TI.

Confira, a seguir, os destaques da entrevista com Alex, sobre a era Compras 4.0:

Compras 4.0

Estratégico x operacional

A área de Compras vai passar por um movimento muito forte de autoatendimento, abrindo a possibilidades de ser cada vez mais estratégica e menos operacional. A era da tecnologia promoverá, por exemplo, a automatização de processos para tomada de decisão mais rápidas e assertivas. Além de aumentar a eficiência e a eficácia, vai permitir uma personalização de serviço, melhorando a satisfação inclusive do cliente interno da área de compras pela agilidade de resposta do sistema. 

No cenário global, um pequeno percentual de empresas aplica toda a lógica de transformação digital, com o uso de novas tecnologias. No Brasil, este número é ainda menor. Mas as tecnologias já existem, são simples e razoavelmente fáceis de serem implementadas. Um passo importante para isto será começar a mudar a cultura para que este percentual aumente. 

 

Processo de transição 

Há muitas empresas que ainda não utilizam soluções importantes para a área de Compras e que não são nem desta revolução digital, mas da era 3.0. Por exemplo: portal de compras, leilão, sistema de gestão de fornecedores e sistema de automação de pedidos. Não adianta a empresa querer chegar ao 4.0 se não adotou estes sistemas básicos na área de Compras. Há sistemas mais caros, com período maior de implantação, mas há também opções mais baratas, que trazem soluções rápidas e importantes para a área de compras.

Ainda em vigor, a era Compras 3.0 é marcada pelo foco maior nas áreas internas da empresa, pelo avanço no processo de reconhecimento estratégico da área para a empresa, um envolvimento mais próximo com fornecedores e a descentralização das atividades. A quarta geração das compras corporativas será dinâmica, proativa e data driven, guiada pelo foco total no consumidor individual e no valor agregado sobre o custo. O papel estratégico na flexibilidade da cadeia de suprimentos ganhará destaque, assim como será elevado o grau de integração com fornecedores.

 

As principais tecnologias para compras 4.0

Entre as principais tecnologias que revolucionam a área de compras estão a IoT – internet das coisas, o blockchain e a inteligência artificial, com o machine learning. Há outras importantes como impressora 3D, drone, realidade aumentada, realidade virtual, mas as três primeiras são mais impactantes. Por quê? Flexíveis e amplas, essas tecnologias permitem a implantação de soluções amplas, mas também de sistemas simples, de forma rápida, dentro da lógica do MVP (produto mínimo viável) do mundo atual. 

É possível implantar soluções simples e liberar o uso, o que acaba com o paradigma que são necessários dois anos, por exemplo, para implantar um sistema. É possível, hoje, fazer um algoritmo e conectar. E isso pode levar um mês para ser feito, por um custo baixo. Então a dica é: implemente uma solução, libere e coloque em funcionamento. Implemente outra e coloque em ação, permitindo que as melhorias sejam feitas em etapas, ao longo do processo, em vez de esperar para colocar em ação. 

A combinação de tecnologias, como big data, inteligência artificial e machine learnig, permitem, por exemplo, a construção de algoritmos que ajudem a fazer previsões de demanda, que podem ser passadas automaticamente para o fornecedor. Com esta previsão de demanda, o fornecedor terá como melhorar suas condições de fabricação, com impacto nos seus custos e, possivelmente, no preço final. Passa a ser possível combinar uma outra lógica de desconto pela performance de quem vende a partir de melhorias implementadas por quem compra.

 

Os profissionais 4.0

A nova tecnologia virá, irá automatizar, facilitar algumas tarefas e muitas funções que existem hoje e que estão no ser humano serão substituídas. No Brasil, há diversos exemplos de funções que já não são mais as mesmas. Por exemplo, em alguns supermercados, o cliente entra, faz suas compras, paga e sai sem necessitar de uma pessoa atendendo-o no caixa. Já há lojas, como as que a Amazon lançou recentemente nos EUA,  também no Brasil, que chama-se Zaitt, um mercado 100% autônomo, onde não há nenhum trabalhador no ambiente.

Este processo também chegará à área de compras das maiores empresas, inicialmente, e depois às médias e pequenas. Os profissionais terão que se atentar a este movimento e à necessidade de se atualizar para começar a fazer funções que são mais estratégicas ou correrão o risco de serem substituídos automaticamente por uma parte da tecnologia que já faz este trabalho mais operacional hoje. 

 

Agregar valor ao produto final

Na era 4.0, o comprador terá um papel muito maior de agregar valor aos produtos finais. Com a automatização de processos, este profissional deixará de se preocupar em tirar pedido, comprar facilities, que são tarefas operacionais e não geram valor, para começar a atender com novos produtos, possibilidades de melhoria de produção, de efetividade e redução do tempo. Como o apoio de toda essa tecnologia, a área de Compras poderá trabalhar mais efetivamente no que é o core da empresa, buscando novas soluções que vão agregar para o cliente final.

A função central do comprador nesta plataforma será voltada ao relacionamento com fornecedores, à busca ativa de novos parceiros, de novas soluções, que permitam buscar, por exemplo, matérias-primas com melhor desempenho, máquinas e equipamentos que produzam melhor, criando oportunidades de inovação de produtos e serviços.

Conclusão

A transformação digital está promovendo uma profunda revolução em todos os segmentos da indústria global. As tecnologias avançam de forma exponencial, imprimindo desafios e trazendo novas oportunidades para os profissionais das mais diferentes áreas de atuação e para os negócios em geral.

A área de Compras também será fortemente impactada por este movimento global, em que as operações manuais darão lugar à automatização de processos, abrindo espaço para o uso de tecnologias como inteligência artificial, blockchain e internet das coisas, reforçando o papel cada vez mais estratégico deste setor para o sucesso dos negócios.

 

Para você, as indústrias estão atentas ao universo 4.0 que se descortina para a área de Compras? E os profissionais de compras estão se preparando para a nova era? Conte para nós!

 

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